NO DISC, NO FILMS

O segmento deste blog não é discos e filmes para baixar, embora eu farei comentários sobre discos e filmes que eu gosto e outros que eu não gosto mas acabei assistindo e extraindo algo de legal. Minha opinião pode não interessar para ninguém, mas... pensando bem, tem tanta gente por aí opina e escreve... sou apenas mais um. Apenas um aviso, meus comentários as vezes são corrosivos. Dizem na minha família que eu já nasci rabugento.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Beatles For Sale - 1964



Hoje vou falar de um disco que gosto muito. Já comentei aqui alguns discos como o do KISS “Creatures of the Night”, o do Elton John “Caribou”, Elvis Presley “Today”, Julio Iglesias “1100 Bel Air Place” somente por enquanto, ainda quero comentar mais discos. Bom, no que posso dizer de algumas postagens sobre discos dos Beatles, algumas eu vinha escrevendo aqui no computador para um projeto que seria um blog só sobre Beatles em parceria com os dois amigos, leitores e praticamente sócios aqui do blog. Como ficaria meio impossível administrar mais um blog, acabei ficando com os textos meus aqui.

Beatles For Sale

Ficha Técnica
Gravado entre 11 de agosto e 04 de novembro de 1964.
Lançamento: 04 de dezembro de 1964 (Reino Unido) pela Parlophone
                      15 de dezembro de 1964 é lançado o Beatles 65 pela Capitol nos EUA.
Fotos: Robert Freeman
Texto de Derek Taylor


É o quarto álbum de estúdio dos Beatles. Foi gravado do dia 11 de agosto até dia 04 de novembro quando foi finalizado a sua mixagem. As gravações aconteceram em meio a compromissos, shows, apresentações em TV, prova de volante (Ringo estava tirando carta de motorista nessa época), os 25 dias da primeira tour pelos EUA, ou seja, começaram a gravar no dia 11 e no dia 16 já estavam on the Road, ou melhor, on the air, rumo aos Estados Unidos. Com a agenda cheia, indo seguidas vezes ao estúdio, não é a toa que na capa eles estão mais sérios, ou como um amigo disse semana passada no Facebook (Beatles cansado),  ao contrário do habitual sorriso das capas do Please Please Me e da capa descontraída do A Hard Day´s Night. Aliás, não querendo colocar mais lenha na fogueira Beatles X Stones, não há o que negar que a capa do Between The Butons de 1967 dos Stones lembra um pouco a capa do For Sale.
O planeta Terra ainda não tinha se recomposto direito do mega sucesso de filme e trilha sonora do A Hard Day´s Night e os fãs já foram mais uma vez presenteados com essa obra prima de disco. Vibrante, empolgante, layout de capa de álbum, até então só tinham trabalhado com layout de capa simples, texto de Derek Taylor, fotos, ficha técnica, quem produziu, claro, George Martin, em cada faixa contém informações de quem canta, quem aparece ocasionalmente, isso sim é um DISCO de sucesso.
Antigos covers que eles costumavam tocar no Cavern e em Hamburgo. Ou seja, eles tinham voltado a primeira fórmula de fazer alguns covers. O disco sairia a tempo de pegar o mercado do natal. Das sessões de gravação ainda fizeram parte I Feel Fine, a qual no take 6 foi gravada só instrumental, She´s a Woman, as duas últimas lançadas em compacto/single e a canção Leave My Kitten Alone que só sairia oficialmente no Anthology.


A relação de faixas abaixo é transcrita do LP original. Note como há o cuidado nas informações de qual integrante canta cada música.

Lado A

1.    No Reply (Lennon – McCartney)
Voz dobrada de John e ocasionalmente Paul. George faz côro com os dois.
2.    I´m a Loser (Lennon – McCartney)
Inicialmente John e pequenas passagens de John e Paul.
3.    Baby´s in Black (Lennon – McCartney)
John e Paul
4.    Rock n Roll Music (Berry)
John
5.    I´ll Follow The Sun (Lennon – McCartney)
Paul, voz dobrada em alguns trechos.
6.    Mr. Moonlight (Johnson)
John
7.    Kansas City (Leiber – Stoller)
Paul

Lado B

1.    Eight Day´s a Week (Lennon – McCartney)
John e Paul. George aparece ocasionalmente.
2.    Words of Love (Holly)
John e Paul
3.    Honey Don´t  (Perkins)
Ringo canta
4.    Every Little Thing (Lennon – McCartney)
John e Paul.
5.    I Don´t Want To Spoil The Party (Lennon – McCartney)
John e Paul
6.    What You´re Doing (Lennon – McCartney)
Paul
7.    Everybody´s Trying To Be My Baby (Perkins)
George canta.

No Reply (Lennon – McCartney)
Fortíssima canção que abre o segundo disco de 1964. Os violões Gibson, o piano, tudo está em perfeita sincronia. A voz dobrada seria a técnica chamada overdub, onde John canta consigo mesmo, fantástica canção que poderia ser um single também.

I´m a Loser (Lennon – McCartney)
John já dá indicios que brevemente intensificaria em escrever temas pessoais. Nesta já nota uma certa influencia Dylanesca. A harmônica tocada por John apareceria a partir do take 5

Baby´s in Black (Lennon – McCartney)
A introdução desta canção é feita por uma nota na guitarra mais parecida com a técnica trêmolo. Mais ou menos como havia sido em I Wanna Be Your Man. Importante dizer, que os Beatles contantemente inovavam em seus trabalhos, independentemente de ser uma canção própria ou cover. O estilo dessa música é um pouco semelhante a uma valsa. No show do Shea Stadium na hora do solo, se vê claramente Paul com seu baixo Hofner simulando uma dança com John.

Rock n Roll Music (Berry)
O grande Chuck Berry é revisitado nessa versão empolgante dos Beatles com vocal estremecedor de John. Aliás, os dois tocaram juntos no programa Mike Douglas em 1972. A sua última visita ao Brasil foi em 2009. O bom e velho Chuck está hoje com 86 anos. É autor de várias canções entre elas Maybellene, Memphis Tennesse, Roll Over Beethoven (gravada pelos Beatles no disco With The Beatles).

I´ll Follow The Sun (Lennon – McCartney)
Música de Paul, mas creditada a dupla Lennon – McCartney. Após a primeira visita aos EUA, Ringo falou sobre o sol, como se eles só tivessem conhecido o sol em Miami.

Mr. Moonlight (Johnson)
A única coisa escrita que achei sobre o Roy Lee Johnson está no Wikipédia. Nasceu em 31 de dezembro de 1938 em Georgia. Seu sucesso veio após esta gravação dos Beatles. Gravou alguns singles entre 1970 e 1980. When a Guitar Plays the Blues, é um disco de 2003. Facilmente achado por aí.
Lennon berra o título da música a plenos pulmões, o primeiro take dela ficaria conhecido apenas no Anthology ou através de discos piratas. O ritmo da música passa a sensação de música havaiana, com direito a vista panorâmica, coqueiros de suculentas nativas dançando hula hula. O solo seria de guitarra, mas no caso da versão oficial do disco o solo foi executado com um órgão no estilão Jovem Guarda, estilo Wanderley (tecladista de Roberto Carlos).

Kansas City (Leiber – Stoller)
Esta é apenas uma das pérolas da dupla dinâmica do rock mundial. Jerry Leiber e Mike Stoller, a dupla de compositores americanos responsáveis pelas músicas que muitos artistas e bandas gravaram. Responsáveis pelos grandes rocks da História como Hound Dog, Jailhouse Rock, pérolas gravadas por Elvis Presley, Stand By Me, Young Blood (que saiu no disco The Beatles Live at BBC), On Broadway gravada por George Benson Jerry Leiber faleceu em 22 de agosto de 2011, Mike Stoller está por aí. Os vocais aqui ficam por conta de Paul McCartney. Na realidade Hey Hey Hey Hey é uma outra canção de Little Richard, portanto a versão do disco é a junção de duas.
No meu disco pelo menos, na capa interna há um erro de grafia onde o nome de Leiber vem escrito como Liebe.

Eight Day´s a Week (Lennon – McCartney)
O lado B abre com a poderosíssima Eight Day´s a Week. Embora já existisse em discos piratas, as versões apresentadas no Anthology mostra o poder dos Beatles em montar a música, introdução, solo e tudo mais. Na realidade em discos piratas, quando se escuta o operador falar Take 1 e a banda já sai tocando, na verdade significa que a música foi ensaiada, pelo menos para a banda conhecer. 



Words of Love (Holly)
Buddy Holly é um herói, um mártir do rock n roll. Charles Hardin Holley teve sua carreira e futuro promissor interrompidos pelo acidente de avião, o qual também tinha como passageiro o Richie Valens. Isso também aconteceu com os Mamonas Assassinas em 1995. Mas a tragédia com Holly inspirou uma canção de Don McLean, American Pie, entre seus versos está “o dia que a música morreu”. Paul comprou o catálogo da editora que detém a obra do cantor. Words of Love tem o recurso das palmas, o solo de guitarra está impecável.

Honey Don´t  (Perkins)
Mais um hit maker, o verdadeiro compostitor de Blue Suede Shoes, sucesso de Elvis Presley. Aqui Ringo é o vocalista. A canção é a última canção gravada com Ringo nos vocais com participação especial de suas amígdalas. Ele tinha sido internado em junho e foi substituído por Jimmy Nicol, o homem que teve por 12 dias o (mundo aos seus pés). Ringo foi operado no dia 02 de dezembro e o disco foi lançado no dia 04 de dezembro. Os cinco takes foram gravados no dia 26 de outubro.

Every Little Thing (Lennon – McCartney)
Uma canção da dupla Lennon e McCartney que foge um pouco da levada estilo She Loves You, I Wanna Hold Your Hand, A Hard Day´s Night que os Beatles estavam acostumados. Nota se nesse disco uma mudança, que seria comprovada dois discos mais tarde, no Rubber Soul.

I Don´t Want To Spoil The Party (Lennon – McCartney)
Um country na carreira dos Beatles. Ringo é um grande amante do country. Assim como Paul é vidrado em músicas dos anos 20. George não tinha pegado a febre da Índia e John era rock n roll, mas essa música é de John.

What You´re Doing (Lennon – McCartney)
O primeiro take da canção nos dá uma ideia de como a música era ensaiada para depois ser lapidada ali, no estúdio. Note que mesmo tendo consquistado o mercado norte americano, alavancar as vendas da EMI, eles ainda gravavam na Parlophone, um selo que era o selo dos “literalmente discos de piada”, igual como os do Ary Toledo entre outros. Será que pertencer a um selo melhor, podiam usar e abusar do tempo de estúdio que bem entendessem? Fica a pergunta. Pois, se pensarmos mais adiante, Abbey Road foi o berço deles. A evolução do Please Please Me até For Sale já é sentida. Tente o seguinte, apresente algumas faixas do Please Please Me e algumas do For Sale a (embora eu ache que não exista) alguma pessoa que nunca ouviu Beatles.

Everybody´s Trying To Be My Baby (Perkins)
George é o vocalista nessa segunda canção de Carl Perkins do disco. As apresentações dessa canção ao vivo realmente eletrizava o público. George é o herói que canta e faz os solos encorpando a música. E a cada apresentação dela, George se soltava cada vez mais.

Considerações Finais
O For Sale é diferente dos três primeiros discos que os Beatles já haviam feito. A transição do rock mais agitado para canções como I´ll Follow The Sun, Eight Days A Week, canção quase na mesma linha de Things We Said Today, uma levada mais leve porém com a mensagem de sempre, refletem a transição da banda que usaria de todo seu tempo precioso em Abbey Road para lapidar as músicas, pensarem em arranjos, eles estavam mudando e o mundo nem sonhava com isso. Pegando emprestado uma suposta frase de Lennon no filme “Two of Us”: O mundo ainda estava cantarolando A Hard Day´s Night. A Beatlemania estava consolidada, mas os voos daqui pra frente seriam cada vez mais altos.

“John Lennon: Para onde vamos rapazes?
Paul, Ringo e George: Para o topo Johnny!!!
John Lennon: E onde fica isso?
Paul, Ringo e George: Encimíssima de tudíssimo.”
Diálogo retirado do filme Imagine de 1988. 


12 comentários:

  1. Bacana hein.. acho legal esse lace de blog... vou te dar um conselho pra bombar o blog... faz uma pagina no face com o mesmo nome do blog, e tudo q vc postar no blog vc posta o link na pagina.. vai ser mais facil a divulgação.. exemplo...
    esse é o meu blog: http://criticamisical.blogspot.com.br/
    essa é a pagina: https://www.facebook.com/musicritica

    espero q ajude.. vou divulgar seu blog no meu.. goste bastante.. da uma força ai tmb.. rsrs valeu...

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  2. Opa, valeu amigo, já estou seguindo seus links, valeu pela visita e comentário mano. Super abraço.

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  3. Ótimo texto Baratta!
    Eu também curto bastante os Beatles e esse cd é muito show, gosto muito dele.

    Abraços :)

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    1. Valeu Simone pela visita e comentário. Belo disco, eu prefiro em vinil ainda rs. Esse disco pega bem a transição entre o pop que eles faziam até começar os arranjos e letras mais personalizados que foi o que aconteceu de 1965 pra frente. Beijo

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  4. Rapaz, ótima postagem, eu já tinha comentando quando você me enviou via e-mail algumas resenhas dos discos dos Beatles para esse nosso blog (que eu espero realmente que consigamos fazer um dia) que eram alguns dos seus melhores textos e relendo agora tive essa confirmação.

    Nunca tinha me ligado nessa semelhança de capas entre o For Sale e o Between The Buttons (e olha que tenho os dois em vinil).

    Esse é considerado um disco meio corriqueiro dos Beatles, gravado às pressas, devido à necessidade na época deles lançarem um álbum para aproveitar as vendas de Natal, por isso tantos covers, o que não é motivo para reclamações uma vez que absolutamente todas as releituras do disco são antológicas, a maior parte se tornando quase a versão definitiva das canções e nas músicas próprias eles também não deixaram a desejar (como sempre) em canções como No Reply, I’m A Loser (uma das minhas prediletas deles de todos os tempos), as clássicas Baby’s In Black e Eight Days A Week e outra que gosto muito, What You´re Doing (acho que o Paul não curte muito essa, não é?)

    Em relação ao seu comentário sobre o Roy Lee Johnson, do qual você achou pouca informação, uma coisa bacana do livro Can’t Buy Me Love do Jonathan Gould é que ele tem uma espécie de “mini-biografias” das maiores influências de Beatles e de artistas que foram influências dos Beatles e alguns dos quais eles fizeram covers (porém, entretanto, todavia, apesar disso nele também não tem referências ao Roy Lee Johnson, pelo menos acabei de dar uma conferida no índice aqui e não encontrei. Estou com um texto praticamente pronto sobre esse livro para postar no rockngeral, em breve estará por lá). Eu também sempre associe esse órgão de Mr. Moonlight ao som do RC da Jovem Guarda, mas nos discos dele quem tocava normalmente era o Lafayette e não o Wanderley que tocava nos shows.

    Pérolas do Baratta: ” A canção é a última canção gravada com Ringo nos vocais com participação especial de suas amígdalas.” Ahuahuaha...boa!

    Ah, lembrando que o John considerava esse o disco country e western da banda.

    Abraço, mano, a postagem deu vontade de desenvolver o projeto do blog, mas você sabe como ando de tempo, né?

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  5. Grande Robert, o Between The Buttons eu não tenho, mas a semelhança das capas não passou desapercebido pelo olho barattês, rs. O projeto do blog tá de pé ainda, só precisamos dividir os textos, agora, lendo essa postagem, já andei vendo o que tenho pronto aqui e o que ainda falta. Deu uma turbinada no sentido de fazer o que ainda falta. Blogs dos Beatles existem aos montes, mas com a gente comentando é outra parada né? Sobre o Roy Lee eu vi e reparei que na época que escrevi esse texto, eu acabei procurando e achei um cd dele que baixei sabe -se lá de onde. Mas também é aquela coisa né? Baixei, tá aqui, só não ouvi haha.
    Abraço mano.

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  6. Caramba cara.muito legal o texto

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    1. Valeu mano. Obrigado pela visita e comentário.

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