NO DISC, NO FILMS

O segmento deste blog não é discos e filmes para baixar, embora eu farei comentários sobre discos e filmes que eu gosto e outros que eu não gosto mas acabei assistindo e extraindo algo de legal. Minha opinião pode não interessar para ninguém, mas... pensando bem, tem tanta gente por aí opina e escreve... sou apenas mais um. Apenas um aviso, meus comentários as vezes são corrosivos. Dizem na minha família que eu já nasci rabugento.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Johnny Mathis



A trilha sonora em casa nos finais de semana era Julio Iglesias, Benito di Paula, Johnny Mathis, pelo menos isso é o que eu me lembro de ter ouvido bastante na minha infância. Era nos finais de semana que papai colocava seus discos e aquele som de violinos, característicos das músicas românticas, tomavam conta de todos os espaços da casa em que a gente morava. Eu na época ouvia mais Roberto Carlos, Elvis, Beatles, mas aquelas músicas que papai ouvia não saíram da cabeça até os dias de hoje. E hoje em dia acabo redescobrindo aquele universo musical, que na época não me interessava muito, mas com um pouquinho mais de conhecimento musical adquirido de uns anos pra cá. Ouvir música é muito relativo e varia de pessoa para pessoa. Quando se é fã de uma banda, a gente presta atenção em todos os instrumentos, quando a gente é fã de um cantor ou cantora presta mais atenção na voz, na letra da música, isso quando a gente não inventa de cantar junto (faço uma ideia do que meus vizinhos aguentaram quando eu tentava cantar junto com a voz esganiçada que eu tinha/tenho).
Das redescobertas musicais do que papai ouvia, uma tem se destacado de uns anos pra cá.
John Royce “Johnny” Mathis!!!
Os dois discos dele que tem em casa e estão até hoje comigo, papai faleceu em 1990, são A Time For Us e Mathis Magic. O primeiro que me chamou atenção foi o A Time For Us. Não é exagero dizer que todas as canções do disco me agradaram desde o primeiro dia que eu peguei pra ouvir por conta própria. A primeira faixa que eu devo ter ouvido repetidas vezes foi “Aquarius/Let The Sunshine In” (do musical da Brodway Hair) mas eu fiz a conexão do filme musical Hair que assisti na TV sabe-se lá quando. “I´ll Never Fall In Love Again” (do musical “Promises, Promises”), “Without Her”, “Yesterday When I Was Young”, “Didn´t We” e “A Time For Us” (Do filme da Paramount “Romeu e Julieta”) são as músicas que eu mais escuto. Com esse disco eu apresentaria Johnny Mathis para uma pessoa que não o conhece. O disco é de 1969. O outro disco é o Mathis Magic de 1978, um disco mais na linha DISCO MUSIC. Um disco para as pistas, da época. Os dois discos que conheci o Johnny estão estalando mais que pipoqueira em dia de quermesse. Meio incômodo de ouvir. Mas mesmo estalando, o Mathis Magic foi um que me chamou atenção. Tanto que eu não sosseguei enquanto não consegui em CD pra ouvir no serviço, e sim, é outro que consta no meu celular hoje em dia. “No One But The Love You Love” foi a primeira faixa, por sinal a primeira do lado A que me chamou atenção. Ô raiva do disco estalando!!! O saldo meio positivo é que o disco A Time For Us eu consegui uma cópia bem mais nova, do Mathis Magic eu ainda estou atrás. Ainda sobre o Mathis Magic, “Night And Day”, “Love” que é de uma sensibilidade espetacular, “My Body Keeps Changing My Mind” que é disco music puro, “She Believes In Me” muito mas muito romântica, “That Old Black Magic” que eu já tinha ouvido em jazz... Resumindo, esses dois discos são obrigatórios pra quem gosta e aprecia música de qualidade. 




Como eu já me conheço, quando o Baratta gosta de pelo menos dois discos de um determinado artista ou banda, isso quer dizer que o Baratta vai gostar de mais discos, ou seja, isso vira um problema. Isso tem acontecido nos últimos anos com o Johnny Mathis, Carpenters, Sinatra, Baby Huey and Baby Siters, Antonio Marcos... Provavelmente no you tube eu vi a versão do Johnny Mathis para Killing Me Softly, gostei. Aí consegui um terceiro disco, emprestado da minha tia que não devolvi até hoje é o My Love For You. Mais estilo anos 50 do Mathis, mas depois descobri que a música que dá título ao disco foi um sucesso no Brasil. Aí se o Baratta gostou de três discos, danou de vez. Alguns anos atrás achei um arquivo de torrent com 78 discos do Johnny. 78 discos, porém ainda veio faltando o Mathis Magic que incluí na pasta de mp3. Não, ainda não ouvi tudo, mas falando com amigos na internet acabei descobrindo muitos outros discos dele, as fases final dos anos 50, 60, 70... Afinal quem era Johnny Mathis?
Johnny nasceu em 30 de  Setembro de 1935, mesmo ano em que nasceu Elvis Presley, no Texas. Johnny tem 81 anos bem vividos sim senhor. E está na ativa até hoje, fazendo show direto e vem disco novo aí agora em 2017. O primeiro disco dele foi gravado em 1956. Mesmo ano em que o Elvis gravava pela primeira vez na RCA. Com a minha volta aos sebos comprando discos, descobri mais e mais discos do Johnny. Discos que tem naquele arquivo em torrent, mas que não tinha ouvido ainda. Pois, conhecer um disco no vinil pra mim ainda é diferente de conhecer um disco por mp3. O vinil você olha a capa, a contra capa, ouve música a música com paciência, pra mim ainda é diferente sim. Conhecendo mais discos de Mathis acabei vendo que ele tinha gravados muitas músicas conhecidíssimas em todo o mundo como “You´ve Got A Friend”, “Close To You”, “Closer I Get To You”, “If”, “How Can You Mend A Broken Heart”, “Mandy”, “My Sweet Lord”, “Raindrops Keep Fallin´On My Head” entre tantas outras que fui ver qual era a discografia dele. Juro que não parei pra contar, pois são muitos discos gravados de 1956 até os dias de hoje. Uma média de dois a três discos por ano. Além da discografia original dele, ainda há a discografia brasileira, em sua maior parte coletâneas. Mas confesso que foi em uma dessas coletâneas que conheci “Evie”, não tem como não se apaixonar por essa música. Também não sosseguei enquanto não consegui o compacto com essa canção. Mais uma vez procurando no youtube tomei conhecimento do show Live By Request. Um show para a TV onde Johnny recebe telefonemas dos fãs que perguntam alguma coisa e pedem música. Ainda tem muito para falar de Johnny Mathis aqui no blog, mas a gente vai falando aos poucos. Abaixo uma foto da minha humilde coleção do Johnny, até a data da postagem (apesar de estar ainda faltando aí o compacto da Evie, conseguido recentemente). 


13 comentários:

  1. Baratta:

    Desde a Bossa Nova, com seu estilo minimalista, genial quando executada por João Gilberto com seu fraseado continuo e divisão sincopada, e mais ou menos quando executada por seres menos talentosos, que, no Brasil, a voz com grande extensão perdeu o valor comercial e foi relegada a pré-história. Felizmente, nos EUA, mesmo com um grande minimalista como o Chet Baker, essa desvalorização da grande voz não aconteceu e aí está o grande Johnny Mathis, que segue até os dias de hoje sendo reverenciado como um dos maiores e importantes cantores deste planeta. Ainda bem!
    Parabéns pela riqueza histórica do post!

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    1. Oi Serge, obrigado pela visita e comentário. Realmente, está aí o Johnny até os dias de hoje, mas estava lembrando quando vi o seu comentário em "voz com grande extensão" do Agnaldo Rayol, uma grande voz brasileira que a mídia não fala... triste realidade.
      Talvez porque o mercado fonográfico no Brasil perdeu força tremenda com o advento do CD (que já considero mídia morta). Mas enfim né? As vezes me pergunto: O que nos resta musicalmente hoje? Aí eu mesmo me respondo: Redescobrir as músicas antigas.
      Um abraço do Baratta.

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  2. Cantores no estilo Bel Canto italiano, com voz poderosa e interpretação floreada, estão destinados ao ostracismo. O romantismo morreu e nestes nossos tempos pragmáticos não há mais espaço para sonhos; somente nos sobrou a árida realidade. Fazer o o que? Como se diz hoje em dia, temos que lidar com isso.

    PS. O seu slogan "Para quem funciona melhor a noite" é o meu dogma pessoal.

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    1. Verdade, temos que lidar com isso. Uma vez li em algum lugar que todos os grandes discos e as grandes canções já tinham sido gravadas. Isso antes dos anos 90. E de uma certa forma é verdade. A gente vive uma triste realidade hoje. Mas como diria o Raul "Só vim ouvir meu rockzinho antigo que não tem perigo de assustar ninguém" rs.
      Grande abraço.

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    2. Também só funciono, penso, escrevo, logo existo a noite, o dia foi feito pra dormir (embora eu trabalhe durante o dia), mas Drácula é meu ídolo. Essa história de ir dormir com o Sol nascendo é a melhor coisa que existe. Uma vez tive um compacto da antiga revista BIZZ onde eles entrevistavam a banda Ultraje A Rigor e o repórter perguntava: Como é o dia a dia de vocês? Eles responderam: Quando dá meia noite a gente abre a tampa do caixão... e antes do Sol nascer a gente tá de volta!!!! rs

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  3. É isso aí, o Raul sempre tem razão.

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  4. Baratta, sobre notívagos:

    Alguém já disse, (paráfrase) "o dia só é feito para pagar as contas".

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  5. Baratta:

    Eu ouvi ontem mesmo o Elvis Today em mp3 que você me enviou e é uma beleza como você já havia dito e como em seus comentários você da um destaque para as musicas country do disco peço licença pra te enviar um comentário que postei no blog do Pablo sobre esse assunto. Segue abaixo.

    "Em 1977, logo depois da morte do Elvis, eu comprei o LP Moody Blue e a primeira coisa que veio a minha, ainda jovem mente de fã xiita do Elvis, foi: nossa o Elvis virou um caipira! Ao Serge de hoje, que se tornou cínico e um iconoclasta não seria de admirar uma abordagem dessa, mas o Serge de 1977, com 16 anos, fã incondicional do Elvis é de se admirar eu que tenha tido essa impressão tão forte da mudança do Elvis roqueiro que estava registrado na minha mente, para o que esse novo artista que ele se tornara. Como ele morreu depois deste disco nunca saberemos se foi só um fase ou se era um tendência."

    PS: Por falar em Tupelo, se você ainda não ouviu, ouça essa linda homenagem que o Elton John fez ao Elvis.
    Segue abaixo o link do canal da Edileusa e depois me diga o que achou.
    https://www.youtube.com/watch?v=VkGmbu2yF9M

    Abraço!

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    1. Pois é Serge, o Moody Blue é um baita disco, eu considero mais country o Elvis Country de 71 e o Today. Agora um ponto interessante, vc tinha 16 anos quando o Elvis faleceu (se eu entendi corretamente rs) e eu tinha 16 anos quando o meu papai faleceu em 24 de dezembro de 1990. Até hoje me espanta mais (e me surpreende de certa forma) a reviravolta de estilo quando o Elvis voltou do exército. Tudo bem que o rock tava cheirando mal naquela época com o acidente que matou o Ritchie Valens e o Buddy Holly, o Jerry Lee Lewis que casou com a prima de 14... Chuck Berry tocando o puteiro sem dó, mas as diretrizes do Coronel me incomodam até hoje, ficou praticamente um refém de Hollywood. Parar de excursionar, parar de se apresentar na TV e só filme, filme, filme... tá bom, a gente é fã e assiste até comenta os filmes, mas é osso, rs. Sobre o cinismo, isso me define, tenho um cinismo corrosivo que incomoda além da pessoa a quem eu lanço a farpa, incomoda a mim também rs. John Lennon era assim né? O Reginald arrebenta quando é pra fazer homenagens né? Empty Garden pro Lennon, Candle In The Wind pra Marilyn e essa (que eu não conhecia) são três obras primas.
      Um abraço do Baratta.

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    2. Pois é Baratta, eu acho que essa mudança radical do Elvis na década de "60 deveu-se ao que você disse, mais o fato de que o Elvis queira muito mais ser ator de cinema do que cantor e resignou-se a tudo para conseguir esse objetivo. O Pablo diz também que o Elvis não era puramente um roqueiro, apesar de ser aclamado como o rei do rock, mas também gostava muito, até mais, do gospel, das baladas românticas e do country. Junte tudo isso e deu no que deu na carreira do Elvis na década de "60.
      Abs.

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  6. Desculpe ter postado o comentário do Elvis Today no post do Johnny Mathis. Foi um off topic sem querer.

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    1. Magina, Serge, tá em casa irmão. Fique a vontade. Tá em casa.
      Um abraço do Baratta.

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  7. Concordo Serge, mas não custa sonhar um pouco acordado com o que poderia ter acontecido se ele não parasse de excursionar, se o picareta do Coronel permitisse ele sair dos EUA, mesmo que o estilo tivesse mudado. No estúdio Elvis era mais produtor que o Sholes, que era o "faz nada" dentro da RCA.

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